Como reparar as bolhas em cascos de barco de fibra

Na publicação anterior falamos dos principais motivos que levam a ocorrência de bolhas nos cascos de barcos de fibra e agora vamos falar como fazer os reparos.

Aqui cabe uma ressalva. As informações dessa publicação não substituem as orientações de manutenção dos cascos dos barcos dos estaleiros e fabricantes que devem ser seguidas pelos proprietários nem constitui um manual de reparos de barcos.

A principal orientação é não fazer nenhum “quebra-galho” ou “gambiarra” no reparo das bolhas.

O reparo dos danos causados pela osmose em cascos de barcos de fibra envolve uma série de atividades que, se bem-feitos, podem dar longa vida ao seu barco.

Princípios dos reparos dos danos

Se a essência do problema é que a água percola para dentro da estrutura das camadas de fibra de vidro e decompõe alguns dos elementos que a compõe a solução do problema é colocar uma camada impermeável entre a superfície do casco e a água do mar.

Infelizmente aí é que começam os problemas pois apesar dos avanços técnicos dos materiais e construção não há como impedir totalmente a percolação da água.

A impermeabilidade do casco do barco é decorrente da carga de minerais existente na pintura do casco que vai aumentar o tempo que a água levaria para atravessá-lo.

A taxa de decomposição química depende da concentração da água na laminação e a probabilidade de ocorrência de bolhas depende da taxa de decomposição dos minerais presentes na pintura.

Se a água que percola para o casco evaporasse mais rapidamente do que fosse absorvida durante a percolação teríamos um laminado com menor taxa de umidade e menor probabilidade de osmose mesmo se o casco estivesse constantemente no mar.

Ou seja, ventilação constante é uma das premissas para o bom cuidado do barco. A remoção da umidade pode ser obtida mantendo o casco seco ou ventilando o casco internamente.

Mantendo o casco seco

Quase sempre é impossível manter o casco totalmente seco na parte interna devido a infiltração de água que sempre ocorre nos barcos.

Nesse caso o que precisamos fazer é escoar a água infiltrada o mais rapidamente possível para a bomba de porão e ao mesmo tempo manter a calha de escoamento de água o mais impermeabilizado possível.

A impermeabilização deve ser feita usando a mesma tinta usada na parte externa do casco em demãos cruzadas. Com isso esse trecho será impermeabilizado enquanto o restante do casco “respira” liberando a umidade decorrente da água percolada.

Ventilar o porão

Todo mundo que a umidade surge onde não há ventilação e no caso de barcos não é diferente, na verdade é ainda pior.

Você precisa garantir uma boa ventilação do porão do barco para aumentar a evaporação da água percolada.

Para isso deixe sempre que possível as placas de piso levantadas, portas abertas, remova estofados, tapetes e tudo que possa bloquear a circulação de ar. Se por necessário use ventiladores para forçar a circulação do ar e instale desumidificadores.

Resina polyester x epóxi

Muitos barcos foram e ainda são construídos com resina poliéster em função de seu custo menor do que a resina epóxi mesmo sabendo que são mais suscetíveis ao processo de osmose.

Mas por que a resina poliéster é mais suscetível?

O nome poliéster significa “vários ésteres”; éster é o nome químico para um composto decorrente da reação entre um ácido orgânico com uma base orgânica do qual é retirada a água resultante.

As bases usadas nas resinas poliéster possuem pequenas moléculas como etileno glicol, neopentil glicol ou outras moléculas solúveis em água que percolam para fora do material deixando grandes vazios no laminado desenvolvendo porosidade que por sua vez é preenchido por água devido ao efeito de osmose.

O processo de fabricação de cascos de barcos

Dentre os vários processos de laminação um muito comum é o que usa a pistola aplicadora de resina, um processo que se mal realizado pode causar osmose caso o catalizador usado na resina poliéster não seja devidamente misturado.

Preparação do casco para reparo das bolhas de osmose.

O presente texto é descritivo e não se sobrepõe às orientações e recomendações dos fabricantes dos barcos.

1 – Remova as bolhas até atingir o laminado

Dependendo do estado em que se encontra, o gelcoat deverá ser totalmente removido até se atingir a laminação do casco.

Nesse ponto o casco deverá ser lavado várias vezes por dia até que sejam removidos os contaminantes existentes no casco. Alguns profissionais recomendam deixar o barco na água por alguns dias, despois subir e novamente lavar o casco com água doce.

2 – Lixamento do casco

Se os danos não forem severos você poderá apenas lixar o casco para remover a camada externa do gelcoat e expor sua porosidade.

Após o lixamento lave o casco e deixe secando por uma semana e verifique se não surgiram bolhas na superfície do casco.

Caso tudo esteja em ordem você pode aplicar uma pintura com epóxi com proteção de difusão.

3 – Seque o casco

A secagem do casco é parte fundamental do tratamento das bolhas. Não há, no entanto, necessidade de usar desumidificadores ou barracas de secagem.

Normalmente duas semanas é o tempo necessário para a secagem interna e externa do casco. Ventiladores podem ser usados na parte interna para forçar a circulação do ar por dentro do casco e na parte externa do casco para aumentar a evaporação da água.

4 – Verifique se o casco está seco

Você deve medir a umidade do laminado com um equipamento de teste nas áreas abaixo da linha d’água e comparar com as outras áreas do casco mais próxima do convés.

Com essa medição você poderá avaliar a diferença de umidade do casco e identificar quais áreas estão secas ou precisam de mais ventilação.

Tendo certeza que o casco está seco você pode passar para o próximo passo.

5 – Restauração dos danos causados pelas bolhas.

Aplique de 3 a 4 demãos cruzadas de selante epóxi até saturar o laminado aguardando a cura total de cada demão antes de aplicar a seguinte.

Verifique se não surgiram bolhas entre as aplicações. Lixe cada camada com uma lixa fina apenas para abrir os poros e remover eventuais filamentos de laminação que tenham saído da pintura.

6 – Preencha todos os buracos de bolhas

Preencha todos os buracos de bolhas com massa de epóxi especifica para esse fim e após a cura lixe a para dar acabamento.

Se necessário você deverá reparar a laminação com aplicação de mantas.

Reparar laminação de casco

7 – Aplique a tinta de proteção.

Aplique de 2 a 3 camadas de tinta com rolo com cores diferentes em demãos cruzadas para ter certeza que não ficaram partes do casco sem pintura aguardando a cura total entre as demãos.

Após a cura total lixe suavemente a última demão com uma lixa fina para remover eventuais filamentos de laminação que tenham saído da pintura pois eles servem como tubos capilares para criar novas bolhas.

8 – Aplique a pintura final de proteção

Aplique 3 ou 4 demãos de selante epóxi em cores contrastantes em demãos cruzadas. Lixe cada camada com uma lixa fina apenas para abrir os poros e remover eventuais filamentos de laminação que tenham saído da pintura

9 – Aplique a pintura de acabamento

Aguarde o tempo recomendado pelo fabricante da tinta para a cura total da pintura e dê o acabamento recomendado por eles sempre lixando cada camada com uma lixa fina apenas para abrir os poros e remover eventuais filamentos de laminação que tenham saído da pintura

A última recomendação é a proteção do casco não raspando mais eventuais cracas que se formem no mesmo.

A melhor alternativa é o uso de um sistema eficaz de combate de incrustação.

Nossa recomendação é o uso do sistema anti-cracas por ultrassom.

Bem-vindo à era do Anti-Cracas Ultrassônico.

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O sistema Anti-Cracas Ultrassônico é uma forma segura e econômica de combate e prevenção de incrustação de cracas pois não tem desgaste, não libera poluentes, funciona 24 horas por dia e é uma solução definitiva que não precisa ser refeita todo ano.

No site http://www.anti-algas.com.br você pode ver outras aplicações do sistema por ultrassom para o combate e controle da proliferação de algas em lagos, piscinas, tanques de criação de peixes e represas.

Sistemas de limpeza e prevenção de incrustação de cracas

Em nossa próxima publicação vamos falar como funcionam os sistema anti-cracas por ultrassom.

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Obrigado !

Autor: Theodoros Megalomatidis, engenheiro civil, sócio da Seaodyssey Sistemas Ambientais / Anti-Algas por Ultrassom

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